Sumário
Não tem quem nunca ouviu a máxima de que a faculdade não prepara ninguém para o mercado de trabalho. Mas, para nós, esses dois universos não precisam estar tão distantes assim. Por isso, neste texto, vamos pensar juntos em quais habilidades da sala de aula fazem diferença no trabalho.
A cartilha do mercado
De maneira geral, o ensino regular não ensina o bê-á-bá da cartilha do trabalho. Mas, verdade seja dita, é impossível passarmos tantos anos sentados em carteiras e não carregarmos uma boa bagagem para o resto da vida.
Então, a melhor estratégia é fazer isso de forma consciente. Portanto, para começar a trazer a consciência, vamos primeiro listar o que o mercado espera de um profissional recém-formado:
- Conhecimento técnico
- Comunicação eficaz
- Proatividade e vontade de aprender
- Postura ética e responsável
Nas quase 4 mil horas que passamos na sala de aula (sim, nós fizemos as contas), o estudante assume uma postura receptiva. Esperamos que o professor traga todo o conhecimento que precisamos para tirar nota na prova. Já no mercado de trabalho, o que se espera é uma postura proativa, ou seja, profissionais que não fiquem sentados em suas mesas, mas que andem pelos seus objetivos.
Essa virada de comportamento, talvez, seja a principal queixa do RH que recebe jovens que saem da sala de aula sem vivência profissional. Eles chegam ao ambiente de trabalho esperando que alguém lhes entregue toda a informação de que precisam para as 8 horas diárias. E é claro que isso não vai acontecer.
Então, quais são as habilidades da sala de aula que fazem diferença no trabalho?
Na cartilha do mercado de trabalho, encontramos lições sobre habilidades técnicas e comportamentais. E dessas duas nós podemos aprender desde a sala de aula. É claro que o domínio teórico da área de atuação vem da sala de aula, afinal é para isso que buscamos formação.
No entanto, é na escola que, ainda crianças, começamos a lidar com pessoas diferentes em um ambiente diferente, fora da nossa zona de conforto e segurança. Passamos a lidar com horários, prazos, demandas etc. É quando temos contato, de forma sistemática e planejada, com leitura, pesquisa e resolução de problemas.
Resumindo: é na sala de aula que aprendemos a aprender e a colocar em prática o que aprendemos.
A despeito da ideia de que a faculdade não prepara ninguém para trabalhar, vamos falar de quatro habilidades comportamentais que acreditamos ser de extrema importância para a vida profissional e que aprendemos (ou começamos a aprender) ainda na sala de aula:
- 1ª habilidade - relação interpessoal
- 2ª habilidade - leitura, pesquisa e estudo
- 3ª habilidade - organização e responsabilidade
- 4ª habilidade - receptividade para o feedback
4 habilidades da sala de aula que fazem diferença no mercado de trabalho
Relação interpessoal ou o famoso (e temido) trabalho em grupo
Nós sabemos que você coloca no currículo “facilidade para trabalho em equipe”, mas brigava no grupo do TCC e, ainda, queria fazer tudo sozinho. Pois bem, não é isso que o mercado de trabalho espera – e seu professor também não.
Nos trabalhos em grupo, aprendemos a colaborar, compartilhar responsabilidades e encontrar soluções de problemas em conjunto, garantindo a diversidade de formações, opiniões e culturas. É certo que, na escola, todos estão meio que equiparados, diferentemente do trabalho, quando cada um vem de uma área e está em um momento da carreira. É justamente aí que a multidisciplinaridade assume seu verdadeiro papel.
Além disso, o trabalho em grupo nos coloca em situações para treinar a comunicação tanto no desenvolvimento do trabalho quanto naquelas apresentações em frente a turma. Veja bem se não é uma amostra grátis para você saber o que fazer na hora de apresentar um projeto para a chefia. Comunicação eficaz vale ouro para o mercado de trabalho, aproveite todas as chances de treinar se expressar bem e ouvir com atenção.
Dedicação a leitura, pesquisa e estudo (e as horas na biblioteca)
Alguém ainda passa tempo na biblioteca estudando? Nós esperamos que sim. Pois o mercado precisa de profissionais proativos e com vontade de aprender. Na graduação, gastamos tempo em leitura de materiais robustos próprios para a formação. O problema é que com a vida adulta, e os boletos, esse tempo é naturalmente tomado por outras tarefas que, apesar de válidas, não exercem a mesma influência em nós.
Durante a leitura, o cérebro faz novas conexões neurais. E quanto mais se lê mais o cérebro é moldado. A neurocientista Maryanne Wolf explica em uma entrevista para a BBC News o quanto a leitura pode incrivelmente moldar o cérebro humano. Ler uma história é como colocar seu cérebro para malhar na academia.
Em concordância com a neurocientista, afirmamos ainda que não vale ler na tela textos curtos e escaneáveis (como nós cuidadosamente fizemos este daqui), a capacidade de leitura profunda, ou seja, aquela capaz de entender nuances, ironias e entrelinhas, é altamente prejudicada pelo mundo digitalizado. Leia, x pesquise e estude, as conexões que seu cérebro faz, só ele é capaz de fazer! E esse é o seu superpoder.
Organização e responsabilidade vs. “meu cachorro comeu meu trabalho”
Quem nunca fez a tarefa antes do professor entrar na sala ou passou a madrugada acordado para entregar o trabalho na data marcada, pode atirar a primeira pedra (em nós). Pois é na escola que aprendemos a cumprir prazos e horários (e a inventar desculpas esfarrapadas).
Um projeto que exige pesquisa, leitura, escrita, edição de arte, captação de imagem, revisão... Não acontece no dia anterior ao do lançamento. Imaginemos que o seu projeto é dar vida para a ideia do seu chefe, você não vai fazer isso sem planejar a rota, organizar as tarefas e cumprir os prazos. Precisa ver seu projeto no mundo real, lembra de como você fazia com as cartolinas do domingo à noite.
Uma pausa aqui!
A essa altura você deve estar pensando que este texto beira ao exagero. Tudo bem pensar assim, nós sabemos que enquanto se é aluno, e se está sentado em uma “carteira receptiva”, nada disso passa pela cabeça.
Até aqui, no entanto, você já não é mais capaz de negar que é na sala de aula que se começa a aprender sobre desenvolvimento de projetos, planejamento de tarefas, gestão de tempo, viabilização de materiais.
Então, vamos para a última habilidade da sala de aula que faz diferença no mercado de trabalho.
A semana de provas e o feedback
Mais ansiedade do que a semana de prova só o dia de entrega das provas corrigidas. Os professores jamais têm paz até que o boletim chegue. Podíamos até reclamar da nota, mas a vontade de pegar a prova na mão e ler os comentários (e por que não os chamar de feedback) do professor era maior.
Mesmo que não concordasse com a nota, na próxima vez, ninguém arriscaria cometer o mesmo erro. No trabalho, também é assim. O feedback é para ser recebido, e o deslize não mais repetido. Faça seu feedback ser extremamente útil, só se dá ao trabalho de avaliar quem está preocupado com o desenvolvimento do outro, do contrário, deixa passar e assina a demissão. Valorize!
O caminho inverso é possível
Já deixamos claro que a sala de aula contribui para o desenvolvimento profissional, mas e o caminho inverso seria possível? Claramente que sim. As empresas podem e devem contribuir para que novos profissionais cheguem cada vez mais preparados ao mercado. Grandes empresas como a Escola Virtual Fundação Bradesco e FGV Educação Executiva oferecem cursos gratuitamente para todos.
Nós acreditamos nisso. Por isso, na Netspeed, temos o Projeto Acadêmico que tem o propósito de contribuir com a comunidade estudantil por meio da licença de uso gratuito das soluções que compõem o Pacote Acadêmico para estudantes de cursos técnicos e superiores de ciências contábeis, administração de empresas e áreas afins, durante o período de formação, ao mesmo tempo que apresentamos nossos sistemas para os futuros profissionais do mercado.
Três últimos conselhos:
A vida acadêmica existe para nos preparar para o mercado de trabalho. Quanto antes você ter consciência disso, antes aproveitará as oportunidades que surgem. Aquelas óbvias que todos veem e aquelas não tão óbvias que só os mais atentos percebem.
Para terminar, vamos aos conselhos:
- Primeiro, quando se deparar com as enroscadas do mercado de trabalho, lembre-se de como era na escola.
- Segundo, abrace as oportunidades que incentivam o aprendizado a partir da experiência e da prática.
- Terceiro, e não menos importante, se você for estudante das áreas atendidas pelo Projeto Acadêmico, faça seu cadastro que nossa equipe analisa seu pedido e, caso você atenda aos requisitos, concede a licença de uso gratuito dos sistemas Folha de Pagamento, Escrita Fiscal e Contabilidade Netspeed.
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Por Beatriz Baptista
Professora, graduada em Letras e integrante da equipe do Portal Educação. Dedica-se à revisão de textos e ao apoio no desenvolvimento de conteúdo educacional para profissionais de gestão e contabilidade.