Mais que números: o contador que o mercado procura

Mais que números: o contador que o mercado procura

22 de setembro de 2026 • 18 min de leitura

Sumário

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    Tecnologia, novas demandas e mudanças na relação com os clientes estão transformando a profissão contábil. E o próximo passo pode estar menos em fazer mais e mais em fazer diferente.

    Você já percebeu que a contabilidade mudou e continua mudando?

    A rotina ainda envolve prazos, obrigações, documentos, números e uma legislação que exige atenção constante. Mas, ao redor dessa rotina, muita coisa se transformou.

    A tecnologia passou a assumir tarefas que antes consumiam horas. A inteligência artificial começou a fazer parte do dia a dia dos escritórios. A Reforma Tributária trouxe novas regras e exige preparação. E os clientes passaram a procurar não apenas quem entregue suas obrigações, mas quem consiga ajudá-los a entender o que os números significam para o negócio.

    Isso não significa que o conhecimento técnico perdeu espaço. Pelo contrário. Quanto mais informação existe, maior é a necessidade de alguém que saiba interpretá-la, questioná-la e transformá-la em decisão.

    Uma pesquisa realizada pelo CFC, em parceria com IOB e Fenacon, mostra esse movimento: 78% dos profissionais entrevistados utilizam ferramentas de inteligência artificial no trabalho pelo menos uma vez por semana. Entre os participantes, 58% acreditam que a IA aumentará o valor estratégico do contador.

    Então, neste Dia do Contador, talvez a pergunta não seja apenas: “como será a profissão no futuro?”

    Talvez seja: que tipo de contador o mercado já está começando a procurar?

    1. O cliente mudou. E a expectativa sobre o contador também

    Durante muito tempo, a imagem do contador esteve fortemente ligada ao cumprimento de obrigações, à organização dos números e à segurança fiscal da empresa.

    Tudo isso continua sendo fundamental.

    Mas a relação com o cliente está ganhando novas camadas.

    Hoje, uma empresa pode querer saber não apenas quanto vai pagar de tributos, mas como uma mudança na legislação pode afetar seu preço, seu fluxo de caixa, seus créditos ou seus processos.

    Pode querer entender um indicador, avaliar um cenário ou descobrir onde existe um problema antes que ele se transforme em prejuízo.

    É aí que o conhecimento contábil ganha outra dimensão.

    O contador deixa de ser apenas aquele que recebe informações e entrega resultados. Ele pode ocupar também o espaço de quem interpreta, orienta, questiona e ajuda o cliente a enxergar o negócio por meio dos números.

    E isso muda a conversa.

    2. A tecnologia não tira o contador da mesa. Ela muda o que ele faz nela

    A inteligência artificial já chegou à contabilidade.

    Automação, integração entre sistemas, análise de dados e ferramentas digitais estão reduzindo parte do trabalho repetitivo e operacional. A pesquisa CFC, IOB e Fenacon aponta justamente o retrabalho manual, a falta de tempo para análise e consultoria e a dificuldade de integração entre sistemas e dados entre os principais desafios relatados pelos profissionais.

    Mas existe uma pergunta interessante por trás disso:
    se a tecnologia economiza tempo, o que o contador faz com esse tempo?

    Essa talvez seja uma das grandes questões da profissão.

    A tecnologia pode ajudar a localizar informações, processar dados, automatizar tarefas e identificar padrões. Mas alguém precisa avaliar se aquele dado faz sentido, compreender o contexto e decidir o que fazer com ele.

    Por isso, o avanço tecnológico não elimina a importância do profissional.

    Ele muda o lugar onde esse profissional pode gerar valor.

    Menos tempo no trabalho repetitivo. Mais espaço para análise, relacionamento e decisão.

    3. Saber contabilidade continua sendo essencial. Saber conversar sobre ela também!

    Existe uma mudança silenciosa acontecendo no perfil profissional.

    O conhecimento técnico continua sendo a base. Mas outras competências passam a caminhar ao lado dele.

    • Interpretar dados.
    • Pensar criticamente.
    • Comunicar informações complexas de maneira simples.
    • Entender o negócio do cliente.
    • Trabalhar com tecnologia.
    • Fazer perguntas melhores.
    • Saber apresentar um cenário e explicar suas consequências.
    • Tudo isso amplia a capacidade de atuação do contador.

    O próprio CFC vem destacando a necessidade de desenvolver competências digitais e preparar profissionais capazes de analisar informações e participar de decisões estratégicas.

    E existe algo importante nessa transformação: não é preciso deixar de ser contador para desenvolver essas habilidades.

    É justamente o conhecimento contábil que permite interpretar melhor os dados, identificar riscos e fazer perguntas que outras pessoas talvez não façam.

    A tecnologia pode entregar uma informação.

    O diferencial está em saber o que perguntar a ela e o que fazer depois.

    4. A Reforma Tributária coloca o contador ainda mais perto das decisões

    Se existe um assunto que deixa clara essa mudança de papel, é a Reforma Tributária.

    A transição para IBS e CBS não envolve apenas novas alíquotas ou mudanças na legislação. Ela alcança processos, cadastros, documentos fiscais, sistemas, créditos, preços, contratos e a própria operação das empresas.

    Por isso, o contador precisa acompanhar a mudança não apenas para saber “qual é a nova regra?”, mas também para entender:

    O que muda para o meu cliente?

    Essa pergunta pode abrir uma nova frente de atuação.

    A própria movimentação recente do CFC, Receita Federal, Sebrae e Fenacon colocou os profissionais da contabilidade no centro de uma força tarefa de orientação e capacitação sobre a Reforma Tributária.

    É um bom exemplo de como o papel do contador vai além da execução.

    Em períodos de transformação, quem consegue traduzir uma mudança técnica para a realidade do negócio passa a ter ainda mais espaço na conversa com o cliente.

    5. Oportunidade não está apenas em fazer mais. Está em ampliar o que você entrega

    E talvez aqui esteja uma das principais oportunidades para a profissão.

    O contador não precisa necessariamente aumentar sua jornada para aumentar seu valor.

    Pode começar olhando para aquilo que já faz e perguntando:

    • Existe alguma tarefa que posso automatizar?
    • Existe algum dado que hoje entrego ao cliente, mas poderia transformar em análise?
    • Existe algum problema recorrente que poderia virar uma orientação preventiva?
    • Existe algum conhecimento que preciso desenvolver para acompanhar meu mercado?
    • O que meu cliente ainda não me pergunta, mas deveria perguntar?
    • São perguntas simples, mas que podem mudar a forma de trabalhar.

    Consultoria, planejamento tributário, análise de dados, gestão de processos, tecnologia, educação e orientação empresarial são alguns dos caminhos que podem se aproximar da atuação contábil à medida que o profissional amplia seu repertório.

    E isso não significa abandonar a contabilidade tradicional.

    Significa usar o conhecimento contábil como ponto de partida para entregar mais valor.

    O futuro da contabilidade também é feito de escolhas de hoje

    Talvez o contador do futuro não seja aquele que sabe fazer tudo sozinho.

    Talvez seja aquele que sabe o que precisa fazer, quais ferramentas podem ajudá-lo, quais perguntas precisa fazer e como transformar informação em uma decisão melhor.

    A profissão está mudando, mas sua essência continua.

    Continuam sendo necessários conhecimento, responsabilidade, ética, precisão e confiança.

    O que muda é o espaço que se abre quando essas competências encontram tecnologia, dados, comunicação e visão de negócio.

    Porque números sempre fizeram parte da contabilidade.

    O que está mudando é o que o contador consegue fazer com eles.

    Neste Dia do Contador, a Netspeed celebra os profissionais que acompanham as transformações do mercado, aprendem, se adaptam e continuam encontrando novas maneiras de contribuir para o crescimento dos negócios.

    Mais que números. O contador que transforma.

    Por Vanessa Mandarano

    Redação Portal Educação

    Fontes: Conselho Federal de Contabilidade (CFC), IOB e Fenacon.