Sumário
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As rotinas do departamento fiscal estão cada vez mais integradas aos sistemas de fiscalização da Receita e da Previdência Social. Entre os temas que vêm ganhando destaque nas análises fiscais, está a malha fiscal do Gilrat, um mecanismo de cruzamento de dados que impacta diretamente o DP, especialmente na apuração de encargos previdenciários. Por isso, entender como essa ferramenta funciona é essencial para evitar, inconsistências, autuações e passivos trabalhistas.
O que é o Gilrat?
O Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho é a contribuição previdenciária que substituiu o antigo RAT (Risco Ambiental do Trabalho). Ele incide sobre a folha de pagamento e varia, conforme o risco da atividade econômica da empresa, entre 1%, 2% ou 3%, de acordo com o CNAE.
Além da alíquota básica, o Gilrat é ajustado pelo FAP, o que pode reduzir ou aumentar o percentual, dependendo do histórico de acidentes e afastamentos da empresa.
Já falamos do FAP no Netspeed Comunica, inclusive, sobre o fato de ele mudar anualmente. Nesse vídeo, também ensinamos como fazer a consulta e a contestação.
Assista!
O que é a malha fiscal do Gilrat?
A malha fiscal do Gilrat é o processo de fiscalização eletrônica utilizado pelos órgãos governamentais para identificar inconsistências entre as informações prestadas pela empresa e os dados apurados nos sistemas oficiais, são eles:
- eSocial
- EFD-Reinf
- DCTFWeb
- CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)
- Benefícios previdenciários (B91, B92, entre outros)
Por meio do cruzamento dos dados desses canais, o Fisco verifica se a empresa está aplicando corretamente a alíquota do Gilrat, considerando o CNAE, o FAP e os registros de afastamentos e acidentes de trabalho.
Como a malha do Gilrat afeta o departamento pessoal
É justamente o DP quem escritura as informações que alimentam a malha fiscal. Ou seja, um erro do departamento pode gerar alertas, notificações e, até mesmo, autos de infração.
Por isso, separamos a seguir 4 dicas fundamentais para cuidar dos processos do DP e se preparar para a malha fiscal do Gilrat:
Dica 1. Divergências de CNAE e alíquota
Se o CNAE informado no eSocial não estiver alinhado à atividade preponderante da empresa, a alíquota do Gilrat pode ser aplicada de forma incorreta, gerando diferenças de contribuição. Portanto, verifique se a informação está consistente.
Dica 2. Afastamentos e CAT inconsistentes
Ausência de CAT, datas incorretas de afastamento ou classificação errada do benefício previdenciário impactam diretamente o FAP e chamam a atenção da fiscalização. Não perca os prazos para lançamento, bem como as informações precisas. Também é fundamental que os códigos de afastamentos enviados ao eSocial estejam corretos, conforme a Tabela 18.
Dica 3. Diferenças entre eSocial e DCTFWeb
Os valores de Gilrat declarados no eSocial devem coincidir com os valores consolidados na DCTFWeb. Qualquer divergência pode levar a empresa à malha fiscal.
Dica 4. Atualização anual do FAP
O FAP precisa ser consultado e atualizado anualmente.
Conclusão:
A malha fiscal do Gilrat reforça o papel estratégico do departamento pessoal na prevenção de passivos previdenciários. Mais do que cumprir prazos, o DP precisa garantir a qualidade das informações enviadas aos sistemas governamentais.
Um processo bem estruturado, aliado à conferência constante dos dados, é a melhor forma de evitar fiscalizações, multas e impactos financeiros para a empresa.
Ficar atento ao Gilrat não é apenas uma obrigação fiscal — é uma medida de gestão e segurança para o negócio.
Por Camila Pilhalarmi | Portal Educação