Carga Tributária bate recorde histórico em 2025 e atinge 32,4% do PIB, aponta Tesouro

13 de abril de 2026 • 7 min de leitura

O Tesouro Nacional divulgou, nesta sexta-feira (10 de abril de 2026), a prévia da carga tributária bruta do Brasil relativa ao ano de 2025. O indicador, que mede o peso total dos impostos, contribuições e taxas sobre a economia, subiu para 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o maior valor registrado na série histórica, iniciada em 2010.


Em 2024, a carga tributária havia fechado em 32,22%. O aumento de 0,18 ponto percentual (p.p.) reflete, principalmente, o fim de desonerações e o impacto de novas regras de tributação implementadas pelo Governo Federal.


Os Motores do Aumento: Onde a Pressão Fiscal Cresceu


De acordo com o Tesouro Nacional, o recorde na arrecadação não foi impulsionado por um aumento generalizado de alíquotas, mas sim por fatores específicos e pelo comportamento da economia:


  • Crescimento da Economia e Emprego: O aumento da atividade econômica e, crucialmente, da criação de empregos formais elevou a arrecadação. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) subiu 0,23 p.p. do PIB, e a arrecadação da Previdência Social avançou 0,12 p.p.
  • Fim de Isenções e Novas Regras: Fatores como a volta da tributação sobre combustíveis (fim das isenções federais) e a nova tributação sobre fundos offshore e de alta renda pesaram significativamente no resultado final.
  • Elevação do IOF: O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre câmbio e crédito, medida que chegou a ser judicializada mas foi parcialmente mantida pelo STF, contribuiu com uma alta de 0,1 p.p. na carga.
  • O Contraste: Queda na Tributação sobre o Consumo
Um dado relevante para o setor produtivo é que, enquanto a carga total subiu, a participação dos impostos sobre bens e serviços (que incidem sobre o consumo) recuou. Somando as três esferas de governo, esses tributos caíram de 13,87% para 13,78% do PIB.


Isso ocorreu mesmo com o aumento nominal da arrecadação. O Tesouro explica que o fenômeno se deve à composição do crescimento do PIB em 2025, que se concentrou em setores com incidência reduzida ou nula de PIS/Cofins e ICMS.


Raio-X por Esfera de Governo


A distribuição do aumento da carga tributária não foi uniforme entre os entes federativos:


  • Governo Federal: Foi o grande motor do aumento, com a carga subindo de 21,34% para 21,6% do PIB (+0,26 p.p.), impulsionada pelo IR, IOF e Previdência.
  • Estados: Registraram queda na participação da arrecadação, que recuou de 8,48% para 8,38% do PIB (-0,1 p.p.). A receita do ICMS, o tributo mais importante do país, caiu 0,09 p.p. do PIB, refletindo a mudança na dinâmica do crescimento econômico.
  • Municípios: Tiveram uma leve alta, passando de 2,39% para 2,42% do PIB (+0,03 p.p.), puxada pelo crescimento do volume de serviços (ISS), que subiu 2,9%, e pela arrecadação de IPVA.
  • Análise: O Peso da Renda e do Trabalho

Os dados do Tesouro consolidam uma tendência de maior peso tributário sobre a renda e o trabalho em detrimento do consumo. Os impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital subiram de 9,04% para 9,16% do PIB (+0,12 p.p.). Já as contribuições sociais avançaram de 6,63% para 6,72% do PIB, reflexo da recuperação do mercado de trabalho formal.


Importante: Esta divulgação do Tesouro Nacional é uma prévia necessária para a prestação de contas da Presidência da República. O número oficial e definitivo da carga tributária de 2025, calculado pela Receita Federal, será divulgado apenas ao longo do segundo semestre de 2026.





Redação Portal Educação – com informações do Tesouro Nacional e Agência Brasil