Comissão da Câmara aprova programa de apoio a empresas impactadas por tarifas dos EUA

02 de fevereiro de 2026 • 6 min de leitura

A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados deu aval a uma proposta que cria um pacote emergencial de apoio a empresas exportadoras afetadas pelo aumento de tarifas aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A iniciativa busca reduzir o risco de demissões e o fechamento de negócios prejudicados pelo encarecimento das exportações.


O texto aprovado corresponde ao parecer favorável apresentado pelo relator do projeto, que analisou a proposta de criação do Programa Emergencial de Redução dos Efeitos da Elevação Tarifária (Perpe). A ideia é oferecer um conjunto de medidas temporárias de alívio fiscal e financeiro, inspirado em modelos de socorro adotados em períodos de crise econômica anteriores.


Benefícios previstos no programa


Entre os principais instrumentos previstos na proposta estão:


Alíquota zero por até cinco anos para quatro tributos federais: IRPJ, CSLL, PIS e Cofins

  • Parcelamento ampliado de débitos, incluindo tributos e FGTS, com prazos longos e possibilidade de descontos significativos
  • Facilitação de crédito, com oferta de linhas garantidas por fundos públicos para reforçar o capital de giro das empresas atingidas

Ampliação do alcance


Durante a análise, foi incorporada uma alteração que amplia o público beneficiado. Inicialmente, apenas empresas cuja atividade principal estivesse listada pelo governo teriam direito ao programa. Com a modificação, também poderão aderir negócios que, mesmo não tendo essa atividade como principal, comprovem que ao menos 20% do faturamento esteja vinculado a setores impactados pelas tarifas.


A mudança busca evitar a exclusão de empresas que, na prática, sofreram prejuízos relevantes, mas não se enquadrariam nos critérios originais de classificação econômica.


Contexto internacional


A proposta surge como resposta a medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos no ano anterior, quando foi estabelecida uma sobretaxa significativa sobre produtos brasileiros. Embora parte dessas tarifas tenha sido posteriormente retirada para alguns segmentos do agronegócio, diversos setores industriais e metalúrgicos continuaram enfrentando restrições, o que gerou pressão sobre exportadores nacionais.


Segundo defensores do projeto, a manutenção dessas barreiras compromete a competitividade de empresas brasileiras no mercado externo e pode refletir diretamente na geração de empregos e na estabilidade financeira de cadeias produtivas inteiras.


Próximas etapas


O projeto segue agora para análise de outras comissões temáticas na Câmara dos Deputados. Caso receba parecer favorável em todas as instâncias, ainda precisará ser votado pelo Senado para que possa se transformar em lei.




Redação Portal Educação

Conteúdo adaptado de Agência Câmara de Notícias.