Como a nova jornada de 40 horas exigirá planejamento estratégico do DP e dos escritórios contábeis

08 de junho de 2026 • 9 min de leitura

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1 e estabelece o teto de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados colocou os departamentos de Recursos Humanos e escritórios de contabilidade do país em estado de atenção. O texto, que agora segue para avaliação do Senado, estipula uma redução na carga horária sem redução de salários. Diante do aumento no custo da hora trabalhada, os profissionais da área técnica deverão capitanear uma reestruturação nas empresas, focada em ferramentas tecnológicas e novos modelos de contratação para blindar a saúde financeira das organizações.


O cronograma de transição aprovado no Congresso

Para que as empresas consigam absorver as mudanças sem impactos abruptos no fluxo de caixa, o texto que avançou na Câmara determinou um modelo de transição em duas etapas:


  • Primeira fase: A jornada máxima semanal será reduzida das atuais 44 horas para 42 horas.
  • Segunda fase (após 12 meses): O limite atinge de forma definitiva o teto de 40 horas semanais.

A alteração constitucional também fixa a obrigatoriedade de dois dias de descanso semanal remunerado, indicando que uma das folgas ocorra, preferencialmente, aos domingos. Pelo lado governamental e dos defensores da medida, a fundamentação apoia-se no bem-estar social, na saúde mental e no combate ao esgotamento profissional, argumentando que a qualidade de vida pode impulsionar o rendimento dos trabalhadores no médio prazo.


O desafio operacional em setores de atividade contínua

Para os consultores e contadores, o maior gargalo regulatório reside nos segmentos de operação ininterrupta e intensivos em mão de obra, tais como comércio, alimentação, logística, transporte, segurança e serviços operacionais (facilities). Atividades que exigem cobertura integral de escalas enfrentarão barreiras para adequar as equipes sem inflar substancialmente a folha de pagamento.


O mercado já projeta duas movimentações principais para conter a alta dos custos diretos:


Aceleração da Inteligência Artificial e Automação

Analistas apontam que as empresas tendem a acelerar a substituição de mão de obra humana em tarefas repetitivas, administrativas e de menor complexidade por meio de softwares de gestão, sistemas de autoatendimento e ferramentas de inteligência artificial. Setores voltados ao atendimento ao cliente e suporte administrativo devem liderar essa transição em busca de eficiência operacional.


Migração para a Terceirização de Serviços

A contratação de empresas especializadas para gerenciar setores como limpeza, portaria, manutenção e logística desponta como alternativa técnica para mitigar o passivo trabalhista direto. Essa estratégia deve ganhar força principalmente entre micro, pequenas e médias empresas, cujo fôlego financeiro para novas contratações diretas é menor.


O gargalo das micro e pequenas empresas

As entidades representativas do setor produtivo manifestam grande preocupação com o impacto financeiro da PEC sobre os pequenos negócios. Sob um cenário macroeconômico de juros elevados e acesso restrito a linhas de crédito baratas, as pequenas empresas correm o risco de enfrentar perda de margem operacional e dificuldades em reestruturar turnos. Especialistas alertam, inclusive, para o risco colateral de aumento da informalidade no mercado de trabalho e pressões inflacionárias em cadeias de consumo do dia a dia.


Impacto na Rotina do Profissional

Para os contadores, assessores jurídicos e gestores de Departamento Pessoal, o momento exige proatividade e monitoramento legislativo rigoroso. Mesmo com a proposta dependendo da votação no Senado, a atuação consultiva deve começar imediatamente por meio de estudos internos de viabilidade. Cabe ao profissional contábil realizar auditorias nos contratos vigentes, simular os impactos financeiros da transição nas planilhas de custos e adequar as parametrizações dos sistemas de ponto eletrônico e folha de pagamento. Mapear os riscos operacionais da carteira de clientes antes da promulgação definitiva será o divisor de águas para garantir o compliance trabalhista e a sustentabilidade das empresas parceiras.







Redação Portal Educação - Com informações de Agências de Notícias do Congresso