A empresa pública de tecnologia previdenciária Dataprev concluiu a retirada do último computador de grande porte (mainframe) ainda utilizado em operações ligadas ao INSS. A etapa final da migração ocorreu entre 28 e 30 de janeiro de 2026 e exigiu parada programada de serviços para viabilizar a transferência definitiva dos sistemas para ambientes tecnológicos mais modernos.
O encerramento do uso de mainframe marca o fim de um ciclo de modernização iniciado há mais de uma década, com foco em ampliar desempenho, segurança e capacidade de integração de dados.
Indisponibilidade programada durante a transição
Para executar a troca de ambiente, foi necessário interromper temporariamente sistemas previdenciários no período da migração. Segundo a empresa, a janela técnica foi definida para reduzir impactos em rotinas sensíveis, como concessão de benefícios e processamento da folha de pagamentos.
A interrupção foi planejada previamente para permitir testes, validações e sincronização de bases antes da entrada definitiva da nova infraestrutura.
Nova arquitetura substitui tecnologia legada
Com a mudança, todas as aplicações que ainda dependiam de mainframe passaram a operar em plataformas distribuídas — também chamadas de plataformas de menor porte — que oferecem maior flexibilidade de expansão.
Entre os benefícios esperados com a nova estrutura estão:
- maior capacidade de escalabilidade de processamento
- integração mais simples entre diferentes bases de dados
- redução de riscos de obsolescência tecnológica
- implantação mais ágil de melhorias e novas funcionalidades
- reforço de mecanismos de segurança e estabilidade
De acordo com a estatal, o modelo anterior já apresentava limitações técnicas para acompanhar o crescimento do volume de dados e de serviços digitais.
Programa de modernização é de longo prazo
O projeto de substituição dos ambientes de grande porte começou em 2008 e foi organizado em etapas. A iniciativa também esteve vinculada a compromissos institucionais firmados com o Ministério Público Federal para atualização estrutural dos sistemas.
O cronograma sofreu desacelerações ao longo dos anos por fatores administrativos e pelo período de pandemia, mas ganhou novo ritmo a partir de 2023.
Migrações anteriores incluíram grandes bases nacionais
Antes da etapa final ligada aos sistemas previdenciários, outras bases relevantes já haviam sido transferidas para a nova arquitetura, incluindo cadastros sociais e fiscais de grande porte, como:
- sistemas do Cadastro Nacional de Informações Sociais
- bases administradas pela Receita Federal do Brasil
- sistemas ligados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional
- Essas migrações permitiram padronizar ambientes e preparar o terreno para o desligamento definitivo dos mainframes.
Ganhos operacionais já observados
Segundo a Dataprev, parte dos resultados da modernização já pode ser medida. Um exemplo é o tempo de processamento da folha de benefícios previdenciários, que teria sido reduzido pela metade — de cerca de quatro dias para dois dias.
A nova infraestrutura também favoreceu a expansão do atendimento digital ao cidadão, com crescimento do uso de canais online, especialmente o aplicativo Meu INSS, que registrou alto volume de acessos ao longo de 2025.
Modernização amplia base para serviços digitais
Com o encerramento do uso de mainframe, todos os sistemas passam a operar em arquitetura considerada mais adequada para integração de dados, automação de rotinas e evolução de serviços digitais.
A expectativa é que o novo ambiente facilite inovações futuras, aumente a resiliência operacional e permita respostas mais rápidas a mudanças regulatórias e de política pública.
Redação Portal Educação
Conteúdo adaptado de Dataprev