Empresas ainda enfrentam desafios para atender exigências da NR-1 sobre riscos psicossociais

22 de junho de 2026 • 10 min de leitura


A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) ampliou a responsabilidade das empresas em relação à identificação e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Apesar do avanço das discussões sobre saúde mental corporativa, especialistas apontam que muitas organizações ainda encontram dificuldades para transformar a exigência legal em um processo estruturado e contínuo.


A norma determina que os riscos psicossociais sejam incorporados ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), exigindo identificação, avaliação, monitoramento e adoção de medidas preventivas relacionadas às condições de trabalho e à saúde dos colaboradores.


Adequação exige atuação integrada

Um dos principais desafios apontados por especialistas está na necessidade de envolver diferentes áreas da empresa na gestão dos riscos psicossociais.


Tradicionalmente, as ações relacionadas à saúde e segurança do trabalho eram conduzidas principalmente pelos setores de SST. No entanto, fatores como liderança, comunicação interna, clima organizacional, metas, reconhecimento profissional e relacionamento entre equipes passaram a ter papel relevante na avaliação desses riscos.


Dessa forma, a adequação à NR-1 demanda participação conjunta de áreas como Recursos Humanos, Segurança e Saúde no Trabalho, Jurídico, Medicina do Trabalho, CIPA, Comunicação Interna e lideranças.


Falta de metodologia única gera dúvidas

Outro fator que contribui para a insegurança das organizações é a inexistência de uma metodologia única definida pelos órgãos fiscalizadores.


As empresas possuem liberdade para escolher os métodos de avaliação mais adequados à sua realidade, desde que consigam demonstrar a consistência dos critérios adotados e a efetividade das ações implementadas.


Esse cenário exige planejamento, documentação adequada e acompanhamento contínuo dos indicadores relacionados ao ambiente de trabalho.


Dados já existentes podem auxiliar no mapeamento

Especialistas destacam que muitas empresas já possuem informações capazes de indicar possíveis riscos psicossociais, mas nem sempre utilizam esses dados de forma estratégica.


Indicadores como absenteísmo, turnover, horas extras, afastamentos previdenciários, pesquisas de clima organizacional, entrevistas de desligamento e registros de denúncias internas podem contribuir para a identificação de situações que impactam o bem-estar dos trabalhadores.


A análise dessas informações permite uma visão mais ampla dos fatores que podem influenciar a saúde mental dentro das organizações.


Sobrecarga e falhas de liderança estão entre os principais riscos

Entre os fatores mais frequentemente associados ao adoecimento ocupacional estão a sobrecarga de trabalho, metas excessivas, jornadas prolongadas, falta de clareza nas atribuições, baixa autonomia, ausência de reconhecimento e conflitos interpessoais.


Além disso, problemas de comunicação e lideranças despreparadas também aparecem entre os aspectos que podem contribuir para o aumento dos níveis de estresse, ansiedade e esgotamento emocional.


Segundo especialistas, a atuação das lideranças será decisiva para o sucesso da implementação da NR-1, já que muitos riscos psicossociais surgem diretamente da dinâmica das equipes e da forma como o trabalho é conduzido.


Capacitação das lideranças ainda é desafio

Dados do relatório Tendências em Gestão de Pessoas 2026, da Great Place to Work (GPTW), mostram que apenas 22% das empresas iniciaram treinamentos específicos sobre a NR-1 voltados às lideranças.


O levantamento também aponta que somente 35,3% das organizações já realizaram o mapeamento dos riscos psicossociais exigido pela norma.


Os números indicam que grande parte das empresas ainda está em fase de adaptação às novas exigências.


Saúde mental passa a fazer parte da estratégia empresarial

Especialistas reforçam que o cumprimento da NR-1 não deve ser tratado apenas como uma obrigação documental.


A tendência é que a gestão dos riscos psicossociais passe a integrar cada vez mais as estratégias de gestão de pessoas, governança corporativa e sustentabilidade dos negócios.


Nesse contexto, empresas que investirem em prevenção, desenvolvimento de lideranças e melhoria do ambiente de trabalho estarão mais preparadas para atender às exigências legais e promover ambientes organizacionais mais saudáveis e produtivos.






Redação Portal Educação – com informações do portal Contábeis