Erros no Código NCM geram multas e travam operações fiscais no país

02 de julho de 2025 • 8 min de leitura


O preenchimento correto do NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) em notas fiscais é muito mais do que uma formalidade: ele impacta diretamente a tributação, a logística e até a saúde financeira das empresas. Apesar de sua obrigatoriedade em todas as operações com mercadorias, o tema ainda gera dúvidas entre empresários e profissionais da contabilidade.


O que é o NCM?

Trata-se de um código numérico de oito dígitos, criado para padronizar a identificação de produtos no comércio nacional e internacional. Seu uso é obrigatório desde 1995 pelos países do Mercosul e segue as regras do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), adotado por mais de 190 países.


Os seis primeiros dígitos pertencem ao sistema internacional; os dois últimos são definidos pelo Mercosul. Com isso, o código facilita o controle fiscal, aduaneiro e tributário, especialmente na emissão de notas fiscais eletrônicas (NF-e).


Como funciona a estrutura do código?

O NCM é formado por partes que representam as características do produto:


  • Capítulo (2 primeiros dígitos): categoria geral do produto
  • Posição (3º e 4º dígitos): tipo de produto
  • Subposição (5º e 6º dígitos): subcategoria
  • Item (7º dígito): classificação mais específica
  • Subitem (8º dígito): detalhamento final


Exemplo:


8703.21.00 refere-se a automóveis com motor de até 1.000 cm³.


Por que o NCM é tão importante?

Além de ser exigido pela Receita Federal, o código influencia:


  • Aplicação correta de tributos (ICMS, IPI, PIS, Cofins)
  • Concessão de benefícios fiscais
  • Substituição tributária
  • Classificação em operações de importação e exportação
  • Gestão eficiente de estoque

Os riscos de um NCM incorreto

Erros na classificação podem gerar grandes dores de cabeça, como:


  • Rejeição da nota fiscal pelo sistema da Sefaz
  • Multas que podem chegar a 1% do valor da operação
  • Perda de incentivos fiscais
  • Retenção da mercadoria na alfândega
  • Fiscalizações e autuações pelo Fisco

A Receita Federal alerta que erros no NCM estão entre os principais motivos de autuações em operações internacionais.


Onde encontrar o NCM correto?

A consulta pode ser feita no sistema Classif, disponível no Portal Único do Comércio Exterior (Pucomex). Também é possível buscar orientação junto à Receita Federal, por meio da COANA (Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro).


NCM e Substituição Tributária: qual a ligação?

O NCM é um dos critérios usados para definir se um produto está sujeito à substituição tributária. Quando preenchido incorretamente, a empresa pode:


  • Pagar imposto indevido
  • Deixar de pagar um tributo obrigatório
  • Ser autuada por erro ou omissão
  • NCM além do Fisco: gestão de estoque

Empresas com grande volume de mercadorias também se beneficiam da correta classificação, pois o NCM facilita:


  • Organização e controle do estoque
  • Agrupamento de itens por categoria
  • Geração de relatórios gerenciais
  • Redução de custos operacionais

E se o NCM estiver errado

Neste caso, recomenda-se:

  • Emitir uma carta de correção eletrônica (CC-e) ou cancelar a nota
  • Ajustar o recolhimento de tributos, se necessário
  • Corrigir o cadastro do produto no sistema interno
  • Revisar periodicamente a tabela de NCMs utilizados

Manter a correta aplicação do NCM é uma responsabilidade compartilhada entre contadores, analistas fiscais e empresários. Mais do que uma obrigação legal, trata-se de um elemento estratégico para manter a empresa em dia com o Fisco, com segurança e competitividade.



Fonte:


Conteúdo adaptado a partir de informações do Portal Contábeis.