O preenchimento correto do NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) em notas fiscais é muito mais do que uma formalidade: ele impacta diretamente a tributação, a logística e até a saúde financeira das empresas. Apesar de sua obrigatoriedade em todas as operações com mercadorias, o tema ainda gera dúvidas entre empresários e profissionais da contabilidade.
O que é o NCM?
Trata-se de um código numérico de oito dígitos, criado para padronizar a identificação de produtos no comércio nacional e internacional. Seu uso é obrigatório desde 1995 pelos países do Mercosul e segue as regras do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), adotado por mais de 190 países.
Os seis primeiros dígitos pertencem ao sistema internacional; os dois últimos são definidos pelo Mercosul. Com isso, o código facilita o controle fiscal, aduaneiro e tributário, especialmente na emissão de notas fiscais eletrônicas (NF-e).
Como funciona a estrutura do código?
O NCM é formado por partes que representam as características do produto:
- Capítulo (2 primeiros dígitos): categoria geral do produto
- Posição (3º e 4º dígitos): tipo de produto
- Subposição (5º e 6º dígitos): subcategoria
- Item (7º dígito): classificação mais específica
- Subitem (8º dígito): detalhamento final
Exemplo:
8703.21.00 refere-se a automóveis com motor de até 1.000 cm³.
Por que o NCM é tão importante?
Além de ser exigido pela Receita Federal, o código influencia:
- Aplicação correta de tributos (ICMS, IPI, PIS, Cofins)
- Concessão de benefícios fiscais
- Substituição tributária
- Classificação em operações de importação e exportação
- Gestão eficiente de estoque
Os riscos de um NCM incorreto
Erros na classificação podem gerar grandes dores de cabeça, como:
- Rejeição da nota fiscal pelo sistema da Sefaz
- Multas que podem chegar a 1% do valor da operação
- Perda de incentivos fiscais
- Retenção da mercadoria na alfândega
- Fiscalizações e autuações pelo Fisco
A Receita Federal alerta que erros no NCM estão entre os principais motivos de autuações em operações internacionais.
Onde encontrar o NCM correto?
A consulta pode ser feita no sistema Classif, disponível no Portal Único do Comércio Exterior (Pucomex). Também é possível buscar orientação junto à Receita Federal, por meio da COANA (Coordenação-Geral do Sistema Aduaneiro).
NCM e Substituição Tributária: qual a ligação?
O NCM é um dos critérios usados para definir se um produto está sujeito à substituição tributária. Quando preenchido incorretamente, a empresa pode:
- Pagar imposto indevido
- Deixar de pagar um tributo obrigatório
- Ser autuada por erro ou omissão
- NCM além do Fisco: gestão de estoque
Empresas com grande volume de mercadorias também se beneficiam da correta classificação, pois o NCM facilita:
- Organização e controle do estoque
- Agrupamento de itens por categoria
- Geração de relatórios gerenciais
- Redução de custos operacionais
E se o NCM estiver errado
Neste caso, recomenda-se:
- Emitir uma carta de correção eletrônica (CC-e) ou cancelar a nota
- Ajustar o recolhimento de tributos, se necessário
- Corrigir o cadastro do produto no sistema interno
- Revisar periodicamente a tabela de NCMs utilizados
Manter a correta aplicação do NCM é uma responsabilidade compartilhada entre contadores, analistas fiscais e empresários. Mais do que uma obrigação legal, trata-se de um elemento estratégico para manter a empresa em dia com o Fisco, com segurança e competitividade.
Fonte:
Conteúdo adaptado a partir de informações do Portal Contábeis.
