O Ministério da Fazenda deu o sinal verde para uma revolução tecnológica: a substituição da declaração anual de ajuste pelo modelo de validação automática. A proposta, apresentada pelo ministro Dario Durigan nesta terça-feira (31/03), prevê que o contribuinte deixe de ser um "digitador de dados" para se tornar um "validador de informações".
O objetivo é que, em um futuro próximo, o sistema da Receita Federal reúna sozinho todas as informações financeiras, bancárias e de saúde, apresentando o cálculo pronto para o cidadão apenas confirmar.
Do "Pré-preenchido" ao "Automático": A evolução
O projeto é o passo final de uma transição que começou com a declaração pré-preenchida. Confira a diferença entre os modelos:
- Modelo Atual (Híbrido): O contribuinte baixa a declaração pré-preenchida, mas ainda precisa importar dados, conferir fontes pagadoras e inserir manualmente despesas médicas ou vendas de bens não reportadas.
- Novo Modelo (Validado): O sistema integra bases oficiais (Bancos, Planos de Saúde, Cartórios e Empresas) em tempo real.
O contribuinte recebe uma notificação: "Este é o seu imposto. Os dados estão corretos?". Ao clicar em "Sim", a obrigação está cumprida.
Por que automatizar agora?
Segundo o Ministério da Fazenda, o Brasil já possui um dos sistemas fiscais mais digitalizados do mundo. A integração de dados permite:
- Redução Drástica da Malha Fina: Erros de digitação, que hoje são a maior causa de retenção, deixariam de existir;
- Menos Burocracia: O foco do governo é transformar o Brasil em uma "economia de inovação", eliminando horas de trabalho improdutivo dos cidadãos;
- Combate à Sonegação: Com o cruzamento de dados em tempo real, a omissão de rendimentos torna-se praticamente impossível.
O Papel do Contador na Nova Era
Com a automação, o trabalho braçal de preenchimento desaparece, mas a consultoria estratégica ganha força. Especialistas apontam que, embora o sistema apresente os dados, a análise de planejamento tributário (escolha entre modelo simplificado ou completo, gestão de ganhos de capital e investimentos no exterior) continuará exigindo a expertise de um profissional contábil.
Próximos Passos
A mudança será gradual. Atualmente, a declaração pré-preenchida já atinge cerca de 60% dos contribuintes. A meta é expandir essa base por meio de novas parcerias tecnológicas entre a Receita Federal e o setor privado até que o envio manual se torne obsoleto.
Redação Portal Educação – com informações de Agência Brasil