Governo prevê descontos de 90% e uso do FGTS para zerar dívidas

28 de abril de 2026 • 5 min de leitura

O Ministério da Fazenda finaliza os detalhes do Desenrola 2.0, a nova fase do programa de renegociação que promete ser ainda mais agressiva que a anterior. Com o endividamento das famílias atingindo o recorde histórico de 49,9%, a proposta central é trocar dívidas "impagáveis" de juros altos (cartão de crédito e cheque especial) por parcelas acessíveis, utilizando o saldo do FGTS como combustível para a quitação e o Fundo Garantidor de Operações (FGO) como escudo para os bancos.


O "X" da Questão: Juros de 10% ao Mês

O foco desta edição é cirúrgico: modalidades de crédito onde os juros variam entre 6% e 10% ao mês. O governo entende que, nessas taxas, a dívida se torna um "buraco negro" financeiro. O programa atuará na substituição desses débitos por novos contratos com juros reduzidos e prazos alongados.


As Regras do FGTS e o Desconto de 90%

Diferente da primeira edição, o Desenrola 2.0 traz o FGTS para a mesa de negociação. No entanto, o uso não será livre para saque em espécie:


  • Finalidade Exclusiva: O recurso só sai da conta vinculada para o pagamento direto da dívida incluída no programa.
  • Teto de Desconto: Instituições financeiras devem oferecer até 90% de desconto sobre o valor total do débito para liberar o acesso às garantias do governo.
  • Proteção Bancária: O FGO cobrirá parte do risco caso o consumidor volte a ficar inadimplente, o que incentiva os bancos a aceitarem descontos maiores.

Quem poderá participar?

Embora o martelo final dependa da assinatura do presidente Lula, os critérios em estudo apontam para:


  • Renda: Famílias com renda de até 5 salários mínimos.
  • Tipo de Dívida: Cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.
  • Caráter Temporário: O programa será uma janela de oportunidade de poucos meses, sem previsão de se tornar uma política permanente.

O Papel do Contador na Reorganização Familiar

Para o profissional contábil, o Desenrola 2.0 abre uma frente de consultoria financeira pessoal. O uso do FGTS deve ser analisado com cautela: embora livre o trabalhador de juros abusivos, retira uma reserva importante para momentos de desemprego ou compra de moradia.


Além disso, o governo avalia medidas complementares drásticas, como restringir o acesso de endividados a sites de apostas (bets), visando proteger o orçamento familiar após a renegociação. O papel do contador será orientar o cliente para que este novo fôlego financeiro não seja apenas o início de um novo ciclo de dívidas.






Redação Portal Educação - Com informações de Ministério da Fazenda.