Um levantamento recente sobre hábitos financeiros dos pequenos negócios no Brasil revelou que a separação entre finanças pessoais e empresariais ainda é um desafio significativo para micro e pequenos empreendedores. De acordo com a pesquisa, mais de seis em cada dez empresários utilizam a conta pessoal para pagar despesas da empresa, prática que compromete a organização financeira e a gestão do negócio.
O percentual de empreendedores que adotam esse comportamento permaneceu praticamente estável nos últimos anos, indicando que, apesar da ampliação do acesso a soluções financeiras e ferramentas digitais, a profissionalização da gestão financeira avança de forma lenta entre os pequenos negócios.
Especialistas alertam que a mistura das finanças dificulta o controle real das receitas e despesas da empresa, prejudica a análise de resultados e pode gerar inconsistências contábeis e fiscais. A separação entre pessoa física e pessoa jurídica é considerada um dos pilares básicos para a saúde financeira e a sustentabilidade do empreendimento.
A pesquisa também identificou diferenças relevantes conforme o porte e o setor de atuação. Negócios menores apresentam maior incidência desse hábito, enquanto empresas mais estruturadas tendem a adotar práticas financeiras mais organizadas. Entre os segmentos analisados, construção civil e indústria registraram os maiores índices de uso da conta pessoal para despesas empresariais, seguidos pelos setores de serviços e comércio.
Do ponto de vista regional, os maiores percentuais de mistura entre finanças pessoais e empresariais concentram-se nas regiões Norte e Nordeste. Já o Sul do país e alguns estados do Sudeste apresentam indicadores mais positivos, sugerindo maior maturidade na gestão financeira dos pequenos negócios.
O estudo também analisou como os empreendedores realizam o controle financeiro do dia a dia. Uma parcela relevante ainda utiliza métodos manuais, como anotações em caderno, enquanto outros recorrem a planilhas eletrônicas. O uso de sistemas digitais cresce, mas ainda não é predominante. Há também empresários que delegam totalmente essa função ao contador, além de um grupo que admite não realizar qualquer tipo de controle.
Para entidades de apoio ao empreendedorismo, esse cenário reforça a importância da educação financeira e do acompanhamento profissional. A adoção de práticas básicas de gestão, como a separação das contas e o registro adequado das movimentações, contribui para decisões mais assertivas, maior transparência e redução de riscos fiscais e operacionais.
Redação Portal Educação
Com informações adaptadas de estudo do Sebrae
