Um levantamento realizado pela empresa de tecnologia Omie revelou que 61% dos profissionais da contabilidade ainda não iniciaram o mapeamento dos impactos da reforma tributária do consumo em suas carteiras de clientes. O dado foi divulgado em reportagem do Diário do Comércio e reforça preocupações sobre o nível de preparação do setor diante das mudanças no sistema tributário brasileiro.
Diagnóstico antecipado é essencial na fase de transição
A sondagem envolveu 633 empresas contábeis e buscou entender como os escritórios estão se posicionando frente às oportunidades e desafios trazidos pela reforma.
Para empresas optantes pelo Simples Nacional, a antecipação da análise é considerada estratégica, já que decisões relevantes poderão precisar ser tomadas até setembro, especialmente quanto à permanência no regime atual ou à opção por modelos híbridos de apuração envolvendo IBS e CBS.
Segundo especialistas ouvidos na matéria, a reforma já começa a produzir efeitos operacionais durante o período de transição, o que exige planejamento prévio e acompanhamento técnico contínuo.
Contabilidade ganha papel mais consultivo
O presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon), Daniel Coêlho, avaliou com preocupação a demora no início das análises. Para ele, o novo sistema tributário altera profundamente a tributação sobre o consumo, com reflexos diretos na estrutura de custos, na formação de preços e na competitividade das empresas.
Na mesma linha, representantes do setor destacam que o mapeamento da carteira de clientes é o ponto inicial para identificar quais empresas podem ser mais impactadas pela nova lógica de creditamento financeiro e pelas mudanças operacionais exigidas pela reforma.
Tecnologia aparece como prioridade para adaptação
Apesar da lentidão no diagnóstico tributário, a pesquisa mostra que 97% dos contadores pretendem intensificar a recomendação de sistemas de gestão (ERP) para seus clientes.
O movimento está ligado à necessidade de maior organização de dados,
parametrizações fiscais e integração de informações para suportar a convivência entre o modelo atual e o novo sistema tributário.
Levantamentos paralelos indicam que menos da metade das pequenas e médias empresas utiliza sistemas de gestão, o que pode dificultar análises mais precisas e decisões estratégicas durante o processo de transição.
Estratégias recomendadas para escritórios contábeis
Entre as ações sugeridas para profissionais da contabilidade estão:
- priorizar o mapeamento dos clientes mais expostos às mudanças tributárias
- estruturar diagnósticos de impacto e simulações comparativas
- revisar enquadramentos tributários, preços e contratos
- apoiar a adequação de sistemas e processos operacionais
- transformar o acompanhamento da reforma em serviço consultivo contínuo
O cenário reforça a importância do protagonismo técnico dos contadores na preparação das empresas para o novo modelo tributário, especialmente em um período marcado por testes operacionais e regulamentações em evolução.
Redação Portal Educação
Conteúdo adaptado com informações da Fenacon