Pesquisa aponta que 61% dos contadores ainda não mapearam impactos da reforma tributária nos clientes

13 de março de 2026 • 7 min de leitura

Um levantamento realizado pela empresa de tecnologia Omie revelou que 61% dos profissionais da contabilidade ainda não iniciaram o mapeamento dos impactos da reforma tributária do consumo em suas carteiras de clientes. O dado foi divulgado em reportagem do Diário do Comércio e reforça preocupações sobre o nível de preparação do setor diante das mudanças no sistema tributário brasileiro.


Diagnóstico antecipado é essencial na fase de transição


A sondagem envolveu 633 empresas contábeis e buscou entender como os escritórios estão se posicionando frente às oportunidades e desafios trazidos pela reforma.

Para empresas optantes pelo Simples Nacional, a antecipação da análise é considerada estratégica, já que decisões relevantes poderão precisar ser tomadas até setembro, especialmente quanto à permanência no regime atual ou à opção por modelos híbridos de apuração envolvendo IBS e CBS.


Segundo especialistas ouvidos na matéria, a reforma já começa a produzir efeitos operacionais durante o período de transição, o que exige planejamento prévio e acompanhamento técnico contínuo.


Contabilidade ganha papel mais consultivo


O presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon), Daniel Coêlho, avaliou com preocupação a demora no início das análises. Para ele, o novo sistema tributário altera profundamente a tributação sobre o consumo, com reflexos diretos na estrutura de custos, na formação de preços e na competitividade das empresas.


Na mesma linha, representantes do setor destacam que o mapeamento da carteira de clientes é o ponto inicial para identificar quais empresas podem ser mais impactadas pela nova lógica de creditamento financeiro e pelas mudanças operacionais exigidas pela reforma.


Tecnologia aparece como prioridade para adaptação


Apesar da lentidão no diagnóstico tributário, a pesquisa mostra que 97% dos contadores pretendem intensificar a recomendação de sistemas de gestão (ERP) para seus clientes.


O movimento está ligado à necessidade de maior organização de dados,

parametrizações fiscais e integração de informações para suportar a convivência entre o modelo atual e o novo sistema tributário.


Levantamentos paralelos indicam que menos da metade das pequenas e médias empresas utiliza sistemas de gestão, o que pode dificultar análises mais precisas e decisões estratégicas durante o processo de transição.


Estratégias recomendadas para escritórios contábeis


Entre as ações sugeridas para profissionais da contabilidade estão:


  • priorizar o mapeamento dos clientes mais expostos às mudanças tributárias
  • estruturar diagnósticos de impacto e simulações comparativas
  • revisar enquadramentos tributários, preços e contratos
  • apoiar a adequação de sistemas e processos operacionais
  • transformar o acompanhamento da reforma em serviço consultivo contínuo

O cenário reforça a importância do protagonismo técnico dos contadores na preparação das empresas para o novo modelo tributário, especialmente em um período marcado por testes operacionais e regulamentações em evolução.



Redação Portal Educação

Conteúdo adaptado com informações da Fenacon