O governo federal anunciou o Prospera MEI, pacote de iniciativas destinado a microempreendedores individuais que reúne medidas para aliviar débitos tributários, facilitar negociações com bancos e estimular investimentos nos negócios. O conjunto também prevê elevar o limite anual de faturamento da categoria para R$ 140 mil, ampliar a contratação de funcionários e simplificar obrigações fiscais. Parte das ações, porém, ainda depende de aprovação legislativa, regulamentação ou publicação de editais.
Apresentado no Palácio do Planalto, o programa foi articulado pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), com participação de outros órgãos federais. Segundo os dados divulgados pelo governo, o país possui 17,6 milhões de MEIs cadastrados, dos quais 7,8 milhões são mulheres.
As medidas têm calendários e condições próprias. Por isso, o anúncio não significa que todos os benefícios estejam disponíveis imediatamente.
Proposta prevê cancelamento de débitos inscritos na Dívida Ativa
Uma das principais iniciativas é o perdão de dívidas tributárias federais de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União. A proposta depende de um Projeto de Lei Complementar a ser encaminhado ao Congresso Nacional e poderá alcançar aproximadamente 3,6 milhões de empreendedores, com débitos estimados em R$ 12,6 bilhões.
O benefício previsto abrange o principal da dívida, multas e juros acumulados. Conforme o FAQ oficial do Prospera MEI, a proposta estabelece início em 1º de janeiro de 2027, limitado aos débitos inscritos até a publicação da lei.
Se aprovada, a baixa será automática, sem necessidade de requerimento pelo empreendedor. A proposta também prevê que o pagamento mensal do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) seja mantido em dia durante os seis meses posteriores à entrada em vigor da lei. Valores já quitados não serão restituídos. Quem tiver ações judiciais para contestar os débitos deverá comprovar a desistência dos processos, sem pagamento de honorários advocatícios pela desistência.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) deverá divulgar orientações para consulta e acompanhamento das dívidas abrangidas.
Renegociação bancária e recursos para investimento
O pacote inclui ainda o Desenrola 3.0, voltado à renegociação de aproximadamente R$ 6 bilhões em dívidas bancárias. A iniciativa prevê a compra de carteiras de créditos inadimplidos pelo governo, com exigência de desconto mínimo de 90% oferecido pelas instituições financeiras. A prioridade será para as carteiras com maiores abatimentos.
A expectativa divulgada é alcançar cerca de 1,6 milhão de MEIs. A execução depende da publicação de edital, e as negociações ocorrerão entre o governo e os bancos.
Outra frente é o PixMEI, programa de fomento que prevê apoio financeiro não reembolsável de até R$ 5 mil por beneficiário para investimentos produtivos. Os recursos poderão ser destinados, por exemplo, à aquisição de equipamentos e à melhoria da estrutura dos negócios.
A iniciativa também prevê assistência técnica, com participação de parceiros como o Sebrae. Segundo o material divulgado, a meta é beneficiar cerca de 1 milhão de empreendedores em quatro anos, com aplicação de até R$ 5 bilhões. O programa ainda precisa concluir sua estruturação e regulamentação, incluindo a definição dos critérios de seleção e do calendário de repasses. Mulheres com menor faturamento deverão ter prioridade.
Limite anual pode subir para R$ 140 mil
O governo também defende a atualização do teto de faturamento do MEI, atualmente em R$ 81 mil por ano. A proposta indicada no PLP 186/2026 prevê elevar o limite para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.
O texto inclui a possibilidade de contratar até dois empregados, em vez de apenas um. Tanto a ampliação do faturamento quanto a mudança no limite de contratação dependem de aprovação do Congresso Nacional. Até que haja alteração legal, continuam valendo as regras atuais.
Nota fiscal, Reforma Tributária e acesso ao mercado público
O pacote também contempla a dispensa de emissão de notas fiscais por MEIs em vendas de produtos e prestação de serviços a pessoas físicas, conforme apresentado no material oficial. A emissão continuará obrigatória nas operações com empresas e órgãos públicos.
O anúncio inclui os nanoempreendedores, categoria relacionada à Reforma Tributária para quem fatura até R$ 40 mil por ano. A partir de 2027, a previsão divulgada é dispensar esse público da abertura de CNPJ e da emissão de notas fiscais nas vendas a pessoas físicas.
Além disso, o Prospera MEI busca ampliar a participação dos pequenos negócios em contratos públicos, por meio de iniciativas como o Contrata+Brasil. A regularidade fiscal também é destacada como requisito relevante para manter o cadastro ativo e acessar linhas de crédito, como o ProCred 360.
O que os empreendedores devem acompanhar
As medidas anunciadas estão em diferentes estágios. O perdão tributário e o novo teto de faturamento precisam de aprovação legislativa; o Desenrola 3.0 depende de edital; e o PixMEI ainda exige regulamentação. Já a dispensa de nota fiscal para operações com pessoas físicas é apresentada no FAQ como estabelecida por decreto presidencial.
Enquanto as novas regras não estiverem plenamente implementadas, os MEIs devem observar as obrigações atualmente vigentes, inclusive o recolhimento mensal do DAS. Em 2026, o FAQ informa valores entre R$ 82,05 e R$ 87,05, conforme a incidência de ICMS e/ou ISS.
O pagamento regular do DAS também mantém a contribuição previdenciária, que pode assegurar acesso a benefícios do INSS, desde que cumpridos os requisitos específicos de cada um. Acompanhar as publicações oficiais será essencial para conhecer as condições definitivas, os prazos e os procedimentos de acesso a cada iniciativa.
Redação Portal Educação
Fonte: Portal Contábeis