O governo dos Estados Unidos oficializou, por meio de decreto assinado em 30 de julho pelo presidente Donald Trump, a imposição de novas tarifas sobre produtos importados, incluindo itens brasileiros. A medida, que eleva em até 50% o imposto de importação para setores como calçados, máquinas, carne, pescados e café, passa a vigorar em 6 de agosto de 2025. Mais de 700 itens foram excluídos da taxação, como suco de laranja, celulose e aviões, mas boa parte dos produtos brasileiros ficou de fora da lista de exceções.
Impactos para setores exportadores
Calçados
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) alertou que a nova tarifa, de 40% adicionais, somada à já existente de 10%, pode inviabilizar as exportações para os EUA, principal mercado internacional do setor. Apenas no primeiro semestre de 2025, foram exportados US$ 111,8 milhões em calçados brasileiros para os EUA. A entidade estima que até 8 mil empregos podem ser perdidos em razão da medida.
Máquinas e equipamentos
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também foi impactada. O setor, que exportou US$ 3,6 bilhões aos EUA em 2024, enfrenta dificuldade para redirecionar a produção a outros mercados devido a especificações técnicas exclusivas dos norte-americanos. O Brasil é deficitário no comércio de máquinas com os EUA, com importações de US$ 4,7 bilhões no último ano.
Café
A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) informou que as negociações continuam para tentar incluir o café na lista de exceções antes da entrada em vigor da tarifa. Os EUA consomem majoritariamente café importado, sendo 34% de origem brasileira. O produto mais aceito é o tipo arábica, no qual o Brasil se destaca mundialmente. O setor articula com autoridades brasileiras e americanas para reverter a taxação.
Carne bovina
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) estima prejuízo de até US$ 1 bilhão em vendas ao mercado norte-americano. As exportações planejadas para 2025 giravam em torno de 400 mil toneladas, volume agora considerado inviável. A entidade afirma que fábricas já interromperam a produção destinada aos EUA.
Pescados
A indústria pesqueira brasileira, representada pela Abipesca, também será afetada. Cerca de 70% das exportações do setor têm os EUA como destino. A associação alerta para consequências econômicas e sociais, especialmente em regiões onde a pesca é a principal atividade. Segundo a entidade, mais de um milhão de pescadores e milhares de famílias podem ser impactados.
Posição do governo brasileiro
Em nota oficial publicada na noite de 30 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as medidas dos Estados Unidos, classificando-as como politicamente motivadas. O governo brasileiro defende a soberania nacional e afirma que medidas de defesa, como a aplicação da Lei de Reciprocidade Comercial, estão sendo consideradas. Um plano de contingência está em elaboração para mitigar os efeitos econômicos, com foco na proteção de trabalhadores, empresas e famílias.
"Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais", afirmou o presidente na nota.
Acesso à norma
A íntegra do decreto norte-americano, com a lista de itens taxados e exceções, pode ser acessada no site oficial do U.S. Trade Representative (USTR).
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