Utilizar demais o PIX pode fazer o MEI perder CNPJ?

10 de outubro de 2024 • 15 min de leitura

Não adianta querer fugir da fiscalização da Receita Federal. O Fisco está de olho em todas as movimentações financeiras, seja da pessoa física quanto da jurídica.


E com as transações via Pix não é diferente. Não é uma surpresa dizer que o Pix, sistema de transações financeiras instantâneas do Banco Central (BC), facilita o pagamento e a coleta de valores no Brasil e logo caiu no gosto da população, inclusive dos empresários brasileiros, não é mesmo?


A modalidade conseguiu rapidamente a adesão da maior parte dos microempreendedores individuais (MEIs) devido às suas vantagens e pela agilidade, mas o que muitos empresários não sabem é que o método de pagamento pode causar problemas para o MEI que não toma os devidos cuidados ao gerenciamento como transações relacionadas ao CNPJ.


A razão é que o Convênio ICMS Nº 166, publicado em setembro do ano passado, obriga os bancos e instituições financeiras a informarem, por meio da Declaração de Informações de Meios de Pagamentos (DIMP), todas as movimentações financeiras, inclusive o PIX, à Receita Federal .


Assim, os dados relativos à coleta de valores pelo sistema de pagamentos instantâneos podem revelar se a empresa ultrapassou o limite máximo de faturamento, que atualmente é de R$ 81 mil por ano.


Isso implica que cada valor transacionado em contas, sejam elas pessoais ou corporativas, é confrontado com as informações declaradas através do CNPJ ou CPF.

Dessa forma, as transações realizadas através deste sistema de pagamentos em tempo real têm o potencial de revelar se um CNPJ excedeu o teto de receitas, atualmente fixado em R$ 81 mil anuais.


Se identificada a ultrapassagem deste limite, a situação não só pode levar ao desenquadramento como também pode ser caracterizada como evasão fiscal, gerando consequências graves para o infrator.


Segundo uma pesquisa feita com mais de 6 mil usuários, 93% aceitaram pagamentos feitos com o PIx. O estudo revela inclusive que a ferramenta é a principal fonte de coleta para mais da metade dos MEIs (54,93%).


Portanto, é importante que o MEI faça a distinção do que está ou não relacionado ao seu negócio. Por isso, sempre separar as contas de Pessoa Jurídica da Pessoa Física é fundamental.


Importância da nota fiscal

Outro fator importante é registrar tudo o que entra e sai relacionado ao CNPJ. A dica principal é informar esses valores corretamente na sua Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-Simei). Como o Fisco tem acesso às informações das transações realizadas com cartão de crédito, débito e Pix, ele vai, facilmente, cruzar esses dados com as notas fiscais emitidas.


Vale lembrar que além da exclusão do MEI do Simples Nacional por possíveis irregularidades bloqueadas pela Receita, a falta de emissão do documento fiscal nas operações comerciais via Pix também pode ser enquadrada como crime de sonegação fiscal.


Desta forma, com risco de aplicação de multas, em razão do descumprimento de obrigações acessórias e do não pagamento do imposto no prazo determinado por lei.





Por Ana Luzia Rodrigues 


Fonte: Jornal Contábil